100º Post: Armário Cloud

22 abr

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Timeline: Be One

22 abr

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“A timeline elevou engajamento para marcas. Estudo revela que Livestrong e Toyota viram suas taxas de engajamento crescer 161% e 156%, respectivamente”.

http://www.proxxima.com.br/proxxima/indicadores/noticia/2012/03/27/Timeline-elevou-engajamento-para-marcas.html

As diversas plataformas pelas quais os indivíduos podiam se inserir no ambiente on-line, antes das redes sociais serem as grandes representantes desta imersão, permitiam que eles vivenciassem sua identidade de forma múltipla e fragmentada (a saber, a identidade cultural pós moderna não é única. É como se as pessoas, com o passar do tempo, tivessem percebido que são, na verdade, uma reunião de diversas identidades e papéis múltiplos ). Eles podiam se ver em corpos distintos dos seus, em jogos e universos on-line como o Second Life. Os especialistas diziam que a internet funcionava como um Identity Workshop, uma nova ferramenta capaz de dar ao homem a possibilidade de dar uma vida quase 360º para cada uma de suas facetas. A chave, aqui, era a auto-experimentação.

Com o passar do tempo, este otimismo sobre a visão do exercício de identidade on-line mudou e mudaram, também, as ferramentas que estavam à disposição do homem. Os estudiosos deixaram de estudar os MUDs e universos on-line para focarem suas atenções às redes sociais que ganhavam espaço e penetração entre os usuários. Começou-se a perceber que os usuários não estavam buscando uma experimentação de sua identidade, exatamente, mas conseguir, através da rede, obter a sensação de unicidade de nossa própria identidade, que buscamos desde a infância (psicologia rápida: segundo Lacan, aos 6 meses de idade, a criança obtém a consciência de sua unidade corporal, a partir de seu reconhecimento no espelho e da diferenciação que faz entre seu corpo e o corpo da mãe. Antes, ela e a mãe são uma mesma coisa. Ela não tem consciência de si próprio como um ser. Nesta fase, ela obtém uma ilusória e prazerosa sensação de um ser único, que continuamos buscando pelo restante da vida, sem nunca alcançarmos.)

Pois bem, nós – seres múltiplos e fragmentados – começamos a buscar por meio da internet, não apenas a sensação de nos experimentarmos em outras vidas virtuais, mas a resposta única e ilustrada de quem nós somos: um ideal self, projetados por nós mesmos. Somos na rede o que gostaríamos de ser no ambiente físico. As redes sociais passaram a funcionar como dashboards quantificadores e ilustrados de nossas identidades, assegurando que somos um só ser, formado por nossos conjuntos de amigos, gostos, posts, curtidas em determinadas opiniões e álbuns de fotos. Não foi a toa que Mark Zuckemberg saiu declarando que “Você é uma pessoa única, com apenas uma identidade.” Ele não estava falando apenas do Linkedin como um lugar no qual vc divide sua identidade profissional, ele estava falando que ele te dá a chance de se sentir uníssono e de ter controle sobre você mesmo, transformando-o num avatar ilustrado e finito. Você é o que está em seu facebook: mais bonito, mais inteligente e mais sob seu próprio controle. E, por isso, você tem um prazer enorme de ficar percorrendo as páginas do seu perfil e do perfil dos outros. Porque os outros o diferenciam de você e você se sente no controle de sua personalidade.

A sacada da Timeline é: os estudiosos perceberam que a maior coisa que dava a uma pessoa o poder da singularização, acima de seus gostos e características, era a sua história. A sequência de fatos que você viveu é o que te torna único e diferente dos outros, acima de todas as outras coisas. A Timeline te dá o poder de checar sua história e fazer um check list de você próprio quando quiser, intensificando a sensação de reconhecimento de si próprio.É uma alusão ao estágio do espelho lacaniano.

É aí que entra a notícia em questão: As marcas passaram, na pós-modernidade, de “senhora de nossas vidas” para uma enorme quantidade de projetos falhos de identidade. Está acontecendo agora uma enorme crise de identidade das marcas. Grosso modo, já passamos até mesmo da fase de marcas que apresentam histórias. Os consumidores desejam marcas que consigam apresentar propostas interessantes aos seus projetos de vida e que consigam ser os porquês de seu desenvolvimento.

Mas aí está, de novo, a Timeline ajudando as fanpages a serem registros únicos e diferenciadores de suas marcas. A hipótese é que, no mesmo processo de funcionar como localizadores da identidade dos usuários, a Timeline possa funcionar como uma ajudinha para marcas que não sabem exatamente quem são ou não sabem como contar aos indivíduos quem são. É uma grande etiqueta que mostra, melhor, cada marca como portadora de uma personalidade única, dando maior poder à marca.

 É ainda uma hipótese para as marcas e já uma teoria para os usuários, mas os resultados já estão chegando…

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O Falível Eu

9 jan

Cheiro de suor. Fico pensando sempre na falibilidade das coisas. De onde vem todo meu pânico. Lembro de quando descobri a falibilidade: primeiro das pessoas – minha cabeça ficou rodeada de caixões com crianças chorando perdas.

Aí vem a descoberta do frágil. Do frágil eu sozinho e infanto.

Depois descobri como falem as pessoas não só deixando de existir mas errando. As ilustrações ficaram por conta de Sergio Naya. Todo Suspenso pode cair. E caiu. E você dorme nessa caixa calculada por esses tais Humanos? Durmo eu também.

Precisei dormir em travesseiros recheados de erva-doce para cumprir a tarefa de dormir.

Os caixões e o desabamento ganharam as enchentes de janeiro. O medo é o monstro mais onívoro de todos os tempos. Come carne, vegetais e etc. Se alimenta de qualquer coisa a vista dos olhos de quem produz medo.

Encerra-se o capítulo que te faz entender que existe a ida dos responsáveis por você. Começa aquele que diz que irá você também. Ilustração: um filme qualquer do antigo não censurado SBT, numa sessão à tarde, com um enterrado vivo. Quero ser cremada. Catalepsia. Vou deixar cartas pra testarem catalepsia.

E tudo passa. O conjunto Zigue-zagueia sua existência como um farejador de fragilidade.

Entra o segundo ato: crescerá. E cresci? Conta bancária, chefes, clientes. Casa. Se o relatório não sair da minha máquina a grande agencia terá reclamações? Cresci. A caixa que abriga o conjunto infantil das temeridades se desloca da prateleira e despenca no chão. Quanta poeira.

Estão todos eles em fotos de Polaroid: os caixões, as enchentes, o desmoronamento. Sobrou espaço para outras fotos adquiridas: assaltos, aviões em queda, insucesso, pobreza, traição.

Mãe, fecha o vidro do carro. Você mora em São Paulo, cassete.

Tudo por aqui é caro. As pessoas perderam a noção, não? Onde moram os ricos. Meus pais deram foi muito certo. E eu? É mesmo por aqui. Se tudo der errado, significa que eu rolei os degraus de evoluir o bolso de geração pra geração? Desculpa, pai. Eu to tentando fazer tudo direitinho.

Meus pais têm cabelos brancos. Esses traços na minha mãe são iguais aos da minha avó. Tenho primos com três décadas. Minha família tem uma nova ala infantil. Meu corpo é algo diferente dos 15 anos. Boa idade pra ter filhos é 29, faltam 8. Em 8 eu ganho sustento dos meus pais?

Todos têm uma boa idéia. Com tudo que você teve, você ainda não teve a sua?

Enxergar sobre o sucesso da sua descendência começa a ser tão incomodo. Eu me sinto uma impostora. Agora que não sou mais eles, eu sou o Zero. Não? E agora é bem por aqui? Eu  estou atrasada ou está tudo certo? Tem gente atrás e lá na frente, eu não sei direito quando a corrida começou.

Eu quero abraçar todo o seguro de agora e colocar em outra caixa pra chamar de Certeza. Por favor não façam nada errado: fechem os vidros do carro. Por favor, não esqueçam de mim. Por favor, parem de fumar. E me perdoem se as coisas não saírem melhor do que o Importante é ter saúde.

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Os números de 2011

2 jan

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 3.100 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 52 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

Maquete

25 dez

A minha mãe me deu a falta de limite. A Falta de Limite educativa de se auto-descobrir enquanto ser humano em formação.

Ela soube – e sabe – com maestria se transformar numa borracha humana que não barrava meus anseios e vontades, mas lhes calçava de forma que cada um deles pudesse ser executado. O meu formato mirim tinha acesso ao poder adulto da execução e do fazer o que bem se entende numa menor escala, proporcional, ao que meu senso crítico ia adquirindo.

Não sei por qual avenida ela conseguiu, ao mesmo tempo, ser zelosa e super protetora. Talvez um encadeamento de fatos da minha infância tenham ajudado o meu estado mirim de livre arbítrio aprender que o documento que lhe concede a posse de seu próprio nariz traz uma série de cobranças e responsabilidades que não lhe são, exatamente exigidas, mas que na contra mão lhe cativam atenção.

A minha mãe me ensinou a ser eu, sem me dizer por onde. Ela mostrou.

Eu acho mesmo que isso de ser sem limites é dela, como são seus dedos e mãos. É um dom não cultural de enxergar tão longe que não há céu. Não há nada.

Minha mãe constrói pontes para que as pessoas a sua volta possam saltar vôos. E de uma forma estranha, isso – agora, de epifania – me pareceu seu jeito de ensinar a amar. Assim, de braço aberto e de infinitas possibilidades.

Que eu possa ser assim um dia.

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Idêntico

16 nov

Essa autora está apaixonada e se reserva ao direito de todo açúcar do planeta. 

Para Daniel Pedroso. 

É estranho se habituar a uma plenitude de amor.

A minha monografia tem me exigido ler sobre o homem pós moderno: aqui e agora, sem esperas de futuro, Ordem e Progresso? Depois? Virá? Seremos? Não. Somos aqui. Estamos por isso buscando, perpetuamente, uma auto definição clara e imediata. Um agora quem sou que não tem resposta e nos concede uma montanha russa cotidiana da inquietude. O homem contemporâneo descobriu não ser senhor de si, não ser por essência uma definição explicita, não ser o dono da sua ou da história do mundo. Descobriu com isso que se quer agora, e não vai esperar o depois, a ordem é: buscar agora. E aí: quem nasceu primeiro – a tecnologia que gera o passado em série ou a vontade imediata de um homem do presente? A galinha e o ovo estão pra sempre em briga.

O que interessa é que este senhor da modernidade tardia – eu, você, nossos pais e amigos – vive o inconstante porque procura o prazer num conquistado de impossível eternidade que lhe chega às mãos em fugazes segundos, por meio de avatares dos mais diversos que podem lhe emprestar o guarda-chuva da identificação de aparência sólida, concreta e colorida. A coca-cola está ali: vermelha, americana, familiar, doce e de imagem mais exalada que salame com alho. Você pode ser dela, ou ela ser sua, e ter na garupa o carimbo do american way, ou do american believe. Pois bem, esse homem inquieto, a procura do prazer dos segundos, sem certeza nenhuma e cheio de dúvidas, não sabe bem entender quando o amor – que a essa altura pertence tão igualmente à liquidez da era quanto o resto dos raciocínios – lhe aparece contínuo, firme, verdadeiro e com longevidade tão longa quanto parece o mundo visto do horizonte aos marinheiros.

Que é esse tanto que aparece no peito feito um prazer dos fugazes e que permanece insanamente concreto? Quando toda literatura e ciência me mandaram duvidar da calmaria e aguardar a tempestade. Se todos os guarda-chuvas se mostraram apenas locáveis até que o tempo se encarregasse de me desinteressar ou nos mostrar um outro lado necessário. Que diabos faz essa paz saltitante que permanece a me mover em choro e riso e ocupa todo meu feed por apenas estar? É de temer sua importância e esperar a queda? Uma montanha-russa de enorme subida cuja descida não se aviste? Daquelas que quanto maior a subida, a queda é eterna? O perecer é mesmo inexorável a toda coisa e gente que a Terra já viu? Ficam a galinha e o ovo sem me dar resposta e, assim, respondo eu. De todos os guarda-chuvas nos quais me acolho para me encontrar entre meus fragmentos que prefiro me habitar nesse enorme e rosa guarda-sol que me sorriu. Acho mais. Acho mesmo que tive a sorte de encontrar num avião, com destino ao entreter, a solução de uma idade histórica inteira. Chamem os historiadores que batizam marcos. Eu destravei a questão de nossos pós-modernos raciocínios.

Me encontro unificada e completamente ciente de mim sob meu guarda-sol rosado. De todos os batismos e etiquetas a que recorri, de tudo que tentamos, pós-modernos amigos, fui a escolhida em rechaçar o passageiro e apertar o botão da identidade.

Que bebam suas coca-colas, vistam suas roupas pretas, comam bananas, usem chapéus, saiam de tangas ou deixem de comer carne. Eu estive em todas as tribos e descobri que sou e, serei pra sempre, do mais eterno dos guarda-chuvas, eu sou do Amor.

O Batismo

1 nov

From another time.

Chegará um tempo no qual o saber não faz mais sentido algum?

Pilhas de livros encardidas nas mesmas marcas. Nunca abertos. Elas margeiam a mesa como degraus de uma escada oscilatória de status e jubilação de um ego tão social quanto qualquer identidade que se possa ter agora.

Stuck. Eu adoro essa palavra. Não tem tradução. É só assim. Será?

Não faz mais sentido. A velocidade não é a mesma. Os dizeres já foram não ditos. O saber parece ter ficado no mesmo arquivo do inconsciente coletivo, guardados numa rede compartilhada. Tudo que está ali, de alguma forma você já sabe. Já escreveu sem fonte e entendeu por ouvir os tantos gestos que desfilam à sua frente.

O mundo não perdeu Nínive. Os 200 anos estão aqui. Ela ficou, de algum jeito, nos braços e pernas de cada um de nós. Eu tenho escutado o popular. E tudo que se põe em nomes me parece tão óbvio.

Um dia eu acordei e o mundo estava ali: nú, transando com o céu. É óbvio. É tudo ridiculamente óbvio. Postulado num mesmo formato que se locomove de coisa à coisa, igual e proporcional. É matemático.

Chamem de pós-moderno, hipermoderno. De moderno. É tudo negável, inventável, provável. No fim é tudo besteira. O óbvio está alocado no seu cérebro num espalhar, via rede, humano.

E aí eu quero saber agora do que não é de se por no papel mas está em potencia num cérebro produtivo.

A lógica da história me parece aquela aplicada aos Flintstones – as mesmas funcionalidades e sistemas maquiados de outras cores, modelos e fantasias, formando uma espessa camada de vida que se sobrepõe a outras, mas não altera as regras do jogo.

O saber tem de ser imediato e orgânico. Genuíno no exercício fisiológico do raciocínio.

Seus livros seguram sua cabeça à beira de uma pia de batismo e te emprestam uma água docente cujo valor é se resume a nomenclaturas.

Here we are, stuck by this river.

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